16.12.13

MULHERES DA MINHA VIDA - FINAL

Pois é.  O blog não tem mais razão de ser, em época de Twitter, Facebook, Instagram e What's App.  Por derradeiro, porém, não posso deixar de colocar um final na série "Mulheres da Minha Vida".  Desde o dia 28/11/13 estou apaixonado de novo. O interessante é que, dessa vez, parece uma coletânea das paixões todas que escrevi e que escreveria nessa série.
Que não seja imortal, posto que é chama.  Mas que essa chama se mantenha acesa até que eu seja completamente consumido, e morra ainda ardendo.

3.5.09

Pedalando - Encontre sua turma

Sobre bicicletas, é desnecessário falar dos grandes benefícios à saúde que a atividade física de pedalar pode proporcionar. Todos sabem que pedalar é uma atividade aeróbica de baixo impacto e altamente recomendável àqueles que pretendem melhorar o coração e os pulmões, além de emagrecer e desenvolver vários grupos musculares.
Pronto! Mesmo iniciando com um "desnecessário falar", já falei!
Agora, vou tratar de um assunto mais prático e direcionado àqueles que pretendem iniciar no universo do pedal.
Como toda atividade que exige esforço, os iniciantes precisam de uma motivação extra para a levarem adiante, com a constância necessária para torná-la um hábito prazeroso. E um dos melhores motivadores é a boa companhia. Mesmo casais ou pais e filhos que começam a pedalar juntos, se um deles não pedala já há algum tempo, podem desistir juntos por falta de motivação. Basta um deles "perder o pique" que o outro se contagia e acaba por relaxar. Então, o melhor a fazer - para começar - é procurar um grupo que possua uma turma heterogênea, que encara a pedalada como um passeio.
Em todas as grandes capitais há esses grupos de passeios noturnos e se na sua cidade não houver um grupo desse, a motivação fica maior se você mesmo organizar o grupo.
Aqui cabe um aparte. Notem que eu não digo que sejam grupos de ciclismo, mas de passeio. Os grupos de ciclismo têm objetivos diferentes (normalmente treino conjunto) e podem fazer com que os iniciantes desistam por se sentirem desmotivados perto dos ciclistas mais experientes. Fatalmente, melhorando o nível, o iniciante deixará os grupos de passeio e buscará companhia de menor número e maior ritmo.
Dito isto, abaixo listarei algumas características dos grupos de passeio:
a)- respeito absoluto à segurança.
Os grupos de passeio exigem e fazem cumprir a utilização de capacete, recomendam a utilização de iluminação traseira, possuem carro de apoio, monitores e, eventualmente, mecânicos de bicicletas.
b)- respeito às leis de trânsito.
Pedalar sempre pela direita das vias, nunca pelas calçadas, respeitar os sinais de parada obrigatória e, se necessário em virtude do número de participantes, dividir o grupo em blocos (com monitores) quando os sinais fecharem.
c)- respeito aos demais cidadãos.
Em áreas residenciais, recomendam evitar fazer muito barulho. Em áreas de bares, permitem que se demonstre a alegria de participar da pedalada, como meio de "convidar" os outros a fazê-lo. Se eventualmente algum motorista apressado quiser atravessar um sinal de "pare", não respeitando o grupo de ciclistas, os monitores dão o exemplo com bom-humor, evitando atritos com motoristas, dando sempre bons exemplos de convivência pacífica. Além disso, se um motorista ficar com raiva e intimidado por um grupo de ciclistas, poderá "descontar" essa raiva em um ciclista isolado, em um outro dia, e causar um acidente.
d)- abertura a novos participantes.
Os grupos de passeio estão sempre abertos a novos participantes, adequando sua estrutura para atender a todos os que quiserem participar.
Agora darei algumas informações sobre o funcionamento prático dos grupos.
É necessário conhecer e programar previamente os trajetos. A média urbana é de 15 a 30 quilômetros, dependendo da quantidade de subidas. O ritmo é ditado não pelo monitor que vai à frente, mas pelo que vai atrás. O monitor da frente deve esperar sempre o grupo se compactar para seguir ao próximo trecho. O carro de apoio deve fazer exatamente o mesmo roteiro, permanecendo atrás do grupo. Se algum participante necessitar de apoio mecânico ou do carro de apoio, um monitor deve permanecer com ele até que o socorro chegue.
Os monitores devem alertar e manter os participantes na faixa da direita, como se estivessem controlando gado (sem qualquer sentido depreciativo).
Nos trajetos de qualquer distância, é conveniente programar uma parada com 2/3 do trajeto, onde os participantes com menor condição física podem aguardar parados que os melhores condicionados sigam e retornem àquele ponto para continuarem o passeio, retornando ao ponto de origem. Por exemplo, num passeio de 21 quilômetros (10,5 de ida e 10,5 de volta), a primeira parada pode ser feita no km 7. Os participantes que seguirem, chegarão ao km 10,5, retornarão ao km 7 e daí seguirão ao km 0 (saída). Ou seja, os melhores preparados percorrerão 21 quilômetros e os iniciantes percorrerão 14 quilômetros. Isso não quer dizer que o caminho de ida deva ser o mesmo de volta, mas que haverá um ponto onde se passará duas vezes. Por isso a necessidade de programar bem o trajeto.
Na programação do trajeto, é conveniente evitar coincidências com eventos que aumentam o trânsito na região, bem como escolas, shopping centers, etc, de modo a manter o passeio em locais de pouco trânsito. Os roteiros devem privilegiar pontos conhecidos da cidade, para que o participante reconheça e valorize o que a cidade tem de belo, histórico ou cultural.
Os passeios normalmente são feitos durante a semana, em dias fixos (por exemplo, toda quarta-feira), com início entre 19:30 e 20:30 horas, também para que o passeio seja feito em horários de menor trânsito.
É conveniente que os organizadores contactem as autoridades de trânsito para informar e pedir apoio - ou que ao menos não atrapalhem - aos passeios. Algumas vezes a municipalidade concederá inclusive agentes da guarda municipal, ou da empresa gestora do trânsito, para garantir a segurança dos passeios.
É conveniente que os organizadores confeccionem camisetas para identificar os monitores. Também é conveniente que sejam confeccionadas camisetas - com patrocínios ou sem - para serem vendidas a preços baixo, como "inscrição mensal" para os participantes. Essas camisas comprometem o participante com a sistemática do passeio e tornam o participante fiel ao grupo.
Alguns grupos têm boas cotas de patrocínio e seus organizadores têm até certo lucro, o que é louvável e garante a perenidade dos passeios.
Esses grupos mais antigos conseguem fornecer, por seus patrocinadores, sucos, frutas e água aos participantes.
Há muitos exemplos de grupos de passeios como o Sampa Bikers (de São Paulo) e o Le Vélo (de Belo Horizonte). Podem buscar no Google. Certamente esse pessoal terá prazer em ajudar a quem quiser montar algum grupo em sua cidade.

Abraço e boas pedaladas!

20.4.09

Mulheres da minha vida - Parte II - Entre a timidez e o desejo

Sempre fui um cara sentimental. No sentido de ter como característica da minha personalidade a intensidade dos sentimentos. Por exemplo, quando estou apaixonado, estou muito apaixonado. Quando acaba, tchau! Supero a perda em 2 horas. E logo estou me apaixonando por outra.
Notem bem que não disse que esqueço em 2 horas, mas que supero a perda. É diferente. Esquecer as mulheres que amei é impossível. Estão todas lá, guardadas em um lugarzinho da minha memória e do meu coração.
Uma das mulheres que amei é a Ana. Mas foi há muitíssimo tempo.
Reencontrei-a no orkut. Ambos estamos casados, com filhos e moramos longe um do outro. Fica difícil até para nos encontrarmos pra bater um papo – não mais do que isso, claro. O que passou, passou.
Ana era – e ainda é – uma menina linda e de altíssimo astral. Gosto de mulheres com alto astral. Na época era muito mais descolada que eu, um menino tímido. Estudávamos na mesma sala e começamos a namorar um namoro infantil, daqueles de nem pegar as mãos. Mas como eu tinha vontade de abraçá-la! Ana tem um irmão muito boa gente. Começamos a fazer natação juntos. Eles, com outros amigos, iam para minha casa, que era perto do clube e lá ficávamos brincando até a hora de irmos para o treino.  Era um amor quase platônico, dado nossa pouca idade.  Sem sexo...
Mas como eu queria tê-la namorado quando um pouco mais velhos! Como eu queria tê-la feito feliz de verdade, acariciado... São lembranças que me fazem querer voltar no tempo...

Mulheres da minha vida. Parte I - Fogo e Paixão

É incrível como algumas coisas nos acontecem e ficam marcadas como se tivessem acontecido ontem. E como pessoas com quem interagimos tão pouco tempo têm um significado enorme em nossa vida.
Tenho, nesse sentido, uma história especial que me aconteceu em 1990. Não sou muito bom com datas exatas, por isso não precisarei dia e mês, mas com certeza foi no primeiro semestre daquele ano.
Estava em viagem para São Paulo, numa época em que as passagens aéreas eram caríssimas e, mesmo a trabalho – principalmente quando estagiários – viajávamos de ônibus. Nada cansativo, pois a viagem demora apenas 6 horas, já incluídas as paradas.
Era o último horário do famoso Cometão, 00:10 horas. Chegaria então em São Paulo às 06:00 horas e lá eu iria à IBM conversar com o responsável por uma ferramenta que poderia ser utilizada pelo Depto. Jurídico da empresa onde eu trabalhava.
Estava preparado para uma viagem tranqüila, mas quando entrei no ônibus, entraram também uns 40 marmanjos. Depois fiquei sabendo que em São Paulo iria haver um concurso para a Polícia Civil.
Entre os marmanjos, apenas 2 mulheres. Uma menina linda, mais ou menos da minha idade na época (19 anos) e uma senhora. A menina, loirinha, toda de branco e linda. Eu estava sentado no lado direito do ônibus, janela, penúltima fila. Ela estava sentada do lado esquerdo, na última fila, ou seja, pouco atrás de mim.
Na primeira parada, em São Carlos, ao ver que ela estava sozinha – embora todo mundo a estivesse olhando – me enchi de coragem, comprei 2 Sonhos de Valsa e ofereci um para ela. Para minha surpresa, ela aceitou e começamos um papinho. Andréa é o seu nome.
Voltando ao ônibus, tratei de pedir ao cara que estava ao meu lado pra trocar de lugar com ela. O fdp não quis, assim como o cara que estava do lado dela. Resultado: Fiquei sentado no braço da poltrona dela, conversando e trocando beijos ardentes, até que o cara ao lado – de saco cheio de tanto blá-blá-blá e de tanto nos ver beijar – liberou o lugar para mim.
A partir daí a viagem ficou fantástica. Não sei o que era melhor, se o papo ou os beijos. Chegando na rodoviária em São Paulo, não queríamos nos despedir. Lanchamos e ficamos juntos como namorados até as 09:00 horas, já que minha reunião era às 10. Ela havia ligado para sua mãe, avisando que já estava em SP mas iria chegar mais tarde.
O fato é que, em 6 ou 7 horas em que ficamos juntos, apaixonei-me de verdade pela Andréa, estudante de fonoaudiologia e que tinha parentes em Olímpia, cidade perto de Rio Preto. Foram momentos de tal intensidade que posso dizer que ambos, se pudéssemos, casaríamos naquele mesmo dia.
Quando nos despedimos, já sabíamos que tudo aquilo não continuaria. Trocamos telefones e um longo beijo já em tom de despedida. Nunca liguei ou recebi ligação. O fogo da paixão fez com que tudo se esvaísse em fumaça. Mas ainda há no meu coração um pequeno produto dessa combustão. Uma brasa que se acende de vez em quando, com o sopro da lembrança, e que me faz sentir palpitações, dores angustiantes, ansiedade, alegria e tristeza. Uma lembrança que me faz ter consciência de que, naqueles momentos, me senti vivo como nunca, como se toda minha existência passada e futura fosse apenas para aquelas 6 ou 7 horas de paixão. E é – foi – verdade!
Obrigado Andréa! Nunca vou te esquecer.

Mulheres da minha vida. - A série

Vou inaugurar uma série em meu blog. “Mulheres da minha vida”. Será ao mesmo tempo uma homenagem às mulheres que eu amei – saibam elas ou não - e uma maneira de guardá-las em meu coração e em minha memória. Algumas foram mais amadas do que outras, mas não haverá graduação. Também não haverá ordem cronológica. Os títulos serão na linha "o fino do brega", só pra não perder a pieguice do assunto. É isso.

17.4.09

Agora vai!

Estou em débito com meu blog. A última postagem aqui foi em novembro de 2008, antes de minha segunda filha, Marina, nascer. De lá para cá, como acontece com todo mundo, muitas coisas ocorreram, algumas relevantes e outras irrelevantes, comigo e com amigos. Mas o fato é que quanto mais velhos, menos tempo tempos para sermos e para termos amigos. As coisas acontecem e não as compartilhamos mais. Não rimos, não choramos, não nos indignamos, não pensamos, não fazemos quase nada junto com os amigos. Afinal, "cada um tem seus pobrema". E um blog, para mim, é isso. Um meio que me faz rir, ficar indignado e pensar. Pensar no que li e no que escrevi. Manter ou mudar um ponto de vista. Espero ter a constância necessária para manter esse espaço, que se não interessa a alguém, interessa a mim como meio de, às vezes, estimular a mim próprio a ser o que sou ou refletir sobre algo. É isso.

21.11.08

Epitáfio

Lendo o imperdível blog da Barbara Gancia, deparei-me com a tradução do poema "Funeral Blues" de W.H.Audren, do filme "Quatro Casamentos e Um Funeral". Um poema lindo no original e sublime na tradução de Nelson Ascher que, espero, seja sentido por ao menos uma pessoa - qualquer uma! - que esteja presente em meu funeral.
Não pensem que eu seja ou esteja mórbido ou algo que o valha, mas é que pensar na morte nos faz pensar em como vivemos.
Se durante a minha vida, durante meus erros e acertos, uma só pessoa sentir a dor e a beleza do que significa este poema, é porque ao menos para alguém eu tive importância.
Não, não tenho a pretensão de que tal poema seja lido em público e tampouco que seja meu epitáfio. A única coisa que espero é ter alguém, seja amigo ou parente, que me ame a ponto de sentir tudo o que este poema contém: aquela dor inexplicável de quem perde a pessoa amada.


W. H. AUDEN — FUNERAL BLUES

Stop all the clocks, cut off the telephone,
prevent the dog from barking with a juicy bone,
silence the pianos and, with muffled drums,
bring out the coffin, let the mourners come.

Let airplanes circle moaning overhead
scribbling on the sky the message: he’s dead.
Put crepe-bows round the white necks of the public doves,
let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
my working week, my Sunday rest,
my noon, my midnight, my talk, my song.
I thought that love would last forever; I was wrong.

The stars are not wanted now, put out every one.
Pack up the moon, dismantle the sun.
Pull away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.


W. H. AUDEN – BLUES FÚNEBRE

Detenham-se os relógios, cale o telefone,
jogue-se um osso para o cão não ladrar mais,
façam silêncio os pianos e o tambor sancione
o féretro que sai com seu cortejo atrás.

Aviões acima, circulando em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Pombas de luto ostentem crepe no pescoço
e os guardas ponham luvas negras como breu.

Ele era norte, sul, leste, oeste meus e tanto
meus dias úteis quanto o meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto.
Julguei o amor eterno: quem o faz se engana.

Apaguem as estrelas: já nenhuma presta.
Guardem a lua; e o sol também foi o bastante.
Recolham logo o oceano e varram a floresta.
Pois tudo mais acabará mal de hoje em diante.

27.10.08

Reminiscências em duas rodas I



Eu radicalizando (u-hú!) na terra de um terreno baldio.
Ao fundo, meu irmão.



Por absoluta falta de vontade de tratar de assuntos mais relevantes como eleições, caso Eloá, o sentido da vida, a peruca do Silvio Santos, a perna mecânica do Roberto Carlos, o casamento virgem da Sandy, o E.T. de Varginha, a cura da calvície, etc, vou começar a escrever uma série com algumas memórias totalmente irrelevantes, de coisas que fiz e que teimam em permanecer gravadas na minha velha cachola.
Não é segredo para ninguém que uma das coisas que me faz mais feliz é poder andar em qualquer coisa que tenha duas rodas.
Isso desde os meus tenros cinco anos de idade, quando ganhei minha primeira bicicleta – com rodinhas. Era uma linda Caloi Berlinetinha.
Nela me aventurava no enorme quintal de casa e de vez em quando – suprema aventura – andava quatro quarteirões acompanhado de minha mãe até a praça da Igreja perto de casa.
Foi nessa bicicleta que descobri o gosto pela aventura e a dor de alguns ralados, afinal correr de bicicleta com rodinhas na praça é um esporte um tanto arriscado. Não é brincadeira, não. As rodinhas, ao contrário do que muita gente pensa, não ajudam a equilibrar a bicicleta em movimento, mas impedem que as curvas sejam feitas como mandam as leis (da física) e... CHÃO!
Convencido pelos mais velhos de que as rodinhas mais atrapalhavam do que ajudavam, fui até a esquina de casa – sem atravessar a rua, porque mamãe não deixava – e pedi ao vizinho mais velho que as retirasse.
Orgulho total! Cheguei em casa andando de bicicleta sem rodinhas! Agora a liberdade era plena.
Sonhava em pilotar motos, aqueles veículos grandes e barulhentos, que só os “filhinhos de papai” tinham condições de possuir.
Mas enquanto as motos não vinham... dá-lhe bicicleta.
As bicicletas que povoavam meus sonhos eram a BMX tanquinho, a Caloi F1, a Monark Tigrão, além da Caloi 10, sonho mais distante porque minhas pernas não alcançavam a distância do banco aos pedais.
Nesta época, embora vivesse pedindo uma bicicleta nova, acho que meus pais não queriam incentivar um futuro motoqueiro, e fiquei um bom tempo com a Berlinetinha.
Lá pelos 9 anos, ganhei uma Monark Monareta, aro 20. Na época já folheava revistas de moto e admirava os pilotos de motocross. Depenei a Monareta, troquei seu garfo por um mais “parrudo” e lá fui eu atrás de terrenos baldios, onde a meninada construía “pistas de bicicross”. Claro que a Monareta não era a bicicleta apropriada e, aproveitando-me do pedido do meu irmão – de ganhar uma bicicleta –, convenci meus pais a comprarem duas BMX Pantera, com freio a tambor e tudo o que uma bicicross deveria ter.
A partir daí era uma festa. Os finais de semana eram sempre assim: sábado construção ou modificação das “pistas” da molecada nos terrenos baldios. Domingo andávamos até a exaustão.
Fazíamos também rampas com pedaços de madeira e tijolos, latas, ou qualquer outra coisa que servisse como suporte para uma das bordas da tábua. Nessas rampas, costumávamos colocar uns aos outros deitados para pularmos sobre os infortunados. Ainda bem que nunca ninguém se machucou seriamente.
Eu continuava sonhando com as motos, mas matava os meus desejos com a bicicleta, o que foi até os 14 para 15 anos. Nesse meio tempo, mais precisamente aos 11 anos tive o prazer de pilotar pela primeira vez um ciclomotor. E a partir de então não havia mais o que fazer: virei motoqueiro (na época não havia diferença entre motoqueiro e motociclista) de corpo, alma e coração, ainda que não tivesse moto.
Mas isso é outra história...

2.10.08

Admirável


Tenho estado em falta com esse espaço. Não sei se é porque estou numa fase mais conturbada, onde não sobra tempo para posts mais leves ou bem-humorados, ou se cansei de malhar em ferro frio, criticando via blog os absurdos que a gente costuma ver por aí. O fato é que estou com pouco assunto - ou seria pouca disposição? - para escrever.

Mas a despeito de tudo isso, ontem eu voltei ao pedal das quartas à noite, com as meninas da "Hora do Blush", que organizam o "Le Veló".

Nesse retorno tive duas gratas surpresas. A primeira foi que eu não piorei tanto em meu preparo físico. Fiz todo o trajeto e ainda fui pra casa sem me cansar.

A segunda surpresa foi conhecer pessoalmente uma menina muito simpática e atenciosa: Jacqueline Mourão. A melhor atleta de Mountain Bike da história do esporte no Brasil, e que representou brilhantemente nosso País em duas Olimpíadas e um Olimpíada de Inverno (na modalidade de esqui na neve!), é uma pessoa fantástica. Conhecê-la pessoalmente me fez admirá-la ainda mais.

No começo do passeio, Jacque (estamos íntimos...) vestiu uma camisa igual à dos participantes e ficou no meio do grupo (longe dos seus amigos que são monitores do grupo e usam camisas diferentes para poderem controlar o pelotão e o trânsito). Ela preferiu se misturar à plebe. Eu fiquei perto, sem conversar com ela, mas prestando atenção. No meio do grupo, Jacque andou perto das meninas mais novas e deu a elas algumas dicas, sempre com um largo e belo sorriso e a humildade de dizer antes um "Oi, tudo bem? Posso te dar uma dica?". Jacque parou para consertar as marchas da bike de uma garota... Jacque sorria e aceitava os cumprimentos dos seus fãs e conversava longamente com alguns deles, até dando dicas sobre ritmo, treinamento, etc.

Em duas horas, Jacqueline foi capaz de atender a todos os que lhe solicitavam, sempre - sempre - estampando um sorriso.

Tirei até uma foto com ela!



De tudo isso, posso dizer que o passeio de ontem me fez muito bem, pelo aspecto físico e mental e, principalmente, por ter conhecido a admirável Jacqueline Mourão.